quinta-feira, agosto 17, 2006

Constataçao cruel

Que o mercado de trabalho anda muito fechado, todo mundo sabe. Você conhece uma meia dúzia de pessoas talentosas, desempregadas anos a fio, e se depara com uma certa dificuldade quando quer mudar de emprego. Paciência, é questão de tempo. Mas a verdade é que, quando você tem um trampo, acaba perdendo a real dimensão de como a coisa anda preta. Acabei de coordenar um processo de seleção para redator e fiquei estarrecida. Segui a cartilha, como manda o figurino, com anúncio no Comunique-se, definição de faixa salarial - que não era lá essa maravilha-, e job description. Dez minutos depois, os e-mails começaram a jorrar desesperadamente na minha caixa. Para a minha surpresa, não se tratavam apenas de jovens entre 21 e 25 anos. Aliás, a grande massa estava acima dos 40, com uma experiência muito maior do que a minha - diploma de doutorado, aulas ministradas em faculdades, atuação internacional, inglês, francês, alemão... Enfim, todo o tipo de profissional gabaritado, desempregado, concorrendo a uma vaga para recém-formados e aceitando salário bem abaixo do aceitável nesta fase de vida.

A coisa está preta, sim. Quando a gente vê o Estadão demitindo a velha guarda da Empresa, se desfazendo de profissionais experientes - como quem troca a mobília de mais de 20 anos de uso... Dá medo! Para o capital, ótimo. Gente disposta a ganhar pouco e acumular milhares de funções. Mas para o conteúdo, uma verdadeira tragédia. Porque é a vivência que define a qualidade de um veículo de comunicação. Nada que não se ganhe com o tempo, envelhecendo. É isso mesmo, nesta área a idade faz diferença, amplia o ponto de vista, caleja, dá uma malandragem importante para distinguir a realidade da ilusão e não engolir gato pensando que é lebre.

Mas, vai ver que é exatamente isso que a modernidade não precisa, experiência...

3 comentários:

Juba ::: disse...

Eu vim aqui procurar uma mãe e de quebra achei uma ativista. É isso aí, Pri, nesse nosso mercadinho de m! a coisa tá assim, experiência ñao conta, o que conta mesmo é quão mal você pode ganhar e quantas noites pode virar. Por isso eu vou virar sambista. Assim, no stress, quem sabe passa essa urucubaca. Mas o fato é: eu balanco mais não caio e tô pronta pra balançar cada vez mesmo. Essa labirintite eu reverti, que venham as outrsa. E quanto ao ombro... ó, eu bem que chorei pela minha mãe no finde passado, com dor de garganta, febre e comendo miojo. Dá proxima vez eu ligo. Beijo, linda.

Bianca disse...

O mercado é verdadeiramente cruel e a realidade, triste... Quem está na batalha não sabe se se qualifica mais, em razão do medo de ficar super-qualificada e não ter mais espaço em razão dos baixos salários que querem nos pagar, ou se investe menos para poder concorrer a uma vaga de recém-formado, que ótimo... Mal sabem eles que a falta de motivação, afeta a produtividade e o comprometimento com a empresa... Funcionários insatisfeitos se doam menos, vestem menos a camisa e trocam mais rápido de empresa, fazendo com que elas cometam mais erros, percam clientes e fiquem na mão... É raro se ver um salário compatível com a atribuição e responsabilidade do empregado... Isso me parece um desrespeito! Estão prostituindo as profissões, e não adianta nem querer boicotar, porque o capitalismo feroz encontra sempre um pai de família ou uma pessoa há muito tempo desempregada que aceita a vaga oferecida por qualquer quantia mísera... Já foi a época em que um título de bacharel valia alguma coisa... Era todo mundo "doutor", havia uma deferência com os chamados "letrados"... Hoje isso não vale nada, nem pós-graduação, nem mestrado ou doutorado... Precisa ser poliglota, ter vários cursos de especialização (de onde é que eles acham que tiramos toda essa grana??), mas pricipalmente, um bom "padrinho"... Aliás, nos dias de hoje, o que conta é sua rede de relacionamentos, é quem vc conhece, porque um bom emprego só se consegue por indicação, e quem não conhece ninguém?? Só lamento... Portanto, só se consegue um bom emprego ou se manter num, aquele que tem os melhores contatos e grana pra investir (muitos aliás, com o famoso "pai-trocínio" preferem dedicar-se às lotrias dos concursos públicos, que muitas vezes estão com as cartas marcadas, é claro). Enfim, apesar dos pesares, continuamos nós, cidadãos comuns, a batalhar nosso espaço e, seja o que Deus quiser... Bjs

Roger disse...

Por isso é que eu digo: Feliz é o meu Pedreiro, o Boca... Bjo.