quinta-feira, junho 07, 2007

volta às origens

Estou voltando a um ponto que ficou para trás: a poesia. Aos poucos vou estreitando os laços, lendo os velhos eternos poetas e conhecendo outros de igual genialidade. Quando foi que me afastei da poesia? A resposta não guarda nenhum mistério. Foi quando ingressei no mercado de trabalho. Sou muito caxias e quando me meto a fazer alguma coisa, quase me torno prisioneira da tarefa. Fico compulsiva. Mas estou aprendendo a conviver com esse lado que, se por um lado é aliado, por outro acaba se voltando contra mim.

Enfim, volto à poesia de mansinho, enlevada pelos versos de Wislawa Szymborska. Uma poeta polonesa que conheci através da Piauí. Genial, sutil, sensível e precisa. Transcrevo uma de suas poesias:

Encontro Inesperado

Nós nos tratamos com extrema cortesia,
dizemos: quanto tempo, que bom revê-lo.

Nossos tigre bebem leite.
Nossos falcões preferem o chão.
Nossos tubarões se afogam no mar.
Nossos lobos bocejam diante da jaula aberta.

Nossas cobras perderam seu lampejo,
nossos macacos, sua graça; nossos pavões, suas plumas.
Faz tempo que os morcegos deixaram nossos cabelos.

Caímos em silêncio no meio da conversa,
e não há sorriso que nos salve.
Nossos humanos
não sabem falar uns com os outros.

3 comentários:

BIANCA disse...

Eu também!!! Faz tempo que não escrevo nem leio poesias... A cabeça a mil não permite espaço para devanear, isso tem que ser feito com calma e de forma relaxada... A intuição e criatividade não florescem sobre estresse...

Juba ::: disse...

Pri, que bom vir aqui e encontrar poesia, estamos todos afastados dela, o mundo em geral. Brindemos à volta.

Juba ::: disse...

Hum, olha que coisa que eu achei:
BEM NO FUNDO
(Paulo Leminsky)

No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto
a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela - silêncio perpétuo
extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais
mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.