domingo, março 11, 2007

Masp 2 - A dura realidade dos museus brasileiros

Achei o Masp largado às moscas. Essa é a verdade.

Fiquei impressionada com a desorganização, o vaivém sem nenhum foco dos seguranças das salas, que aliás passam todo o tempo reparando nos visitantes e fazendo piadinhas.

E a curadoria? Meu Deus, como ninguém reparou que cada tabuleta explicativa tem sua própria norma, padrão?!

A grafia dos nomes dos artistas, por exemplo, parece ter sido concebida à galega. Em determinada parede um quadro é identificado como sendo de Edouard Vuillard*; outro, bem ao lado desse, na mesma parede, aparece como sendo de Edouard Vuillar. Pode até parecer um detalhe insignificante, um "d" a mais, um "d" a menos... pode até parecer que eu é que sou purista. Mas eu sou jornalista e sei a importância de transmitir uma informação com correção, ainda mais quando se trata de um centro de cultura representativo. Não há, ou não deveria haver, espaço para esse tipo de erro.

Mas eu trabalhei um tempo no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio. Sei exatamente como funcionam os bastidores de uma instituição como essa. Funcionários que trabalhavam na saúde, remanejados para a curadoria, sem o menor conhecimento sobre arte, estética... Despreparados e sem a menor disponibilidade para aprender. Querendo apenas bater o ponto, preencher e seguir a papelada da burocracia e sair às 18h.

Ainda assim, conheci gente apaixonada por seu trabalho, em busca de conhecimento e de alçar a arte a patamares mais elevados, ainda que dentro de uma estrutura de trabalho viciada. É nessas pessoas que eu acredito.


*Já que eu citei o pintor, não dá para deixar passar em branco. A tela "A princesa bibesco" é linda, singela, feminina, lírica. Enfim, fiquei imaginando na parede do meu escritório.

2 comentários:

Bianca disse...

Realmente, o fim da picada a falta de cuidado, de esmero e de envolvimento das pessoas que administram e trabalham no Museu... Escrever dados/informações erradas sobre telas e seus autores é triste... Daí porque na europa tem-se um número muito maior de museus (bem valorizados e frequentados) e aqui quase nada... Não damos valor à cultura e museu é programa de índio... É uma pena!!!! bjs

Juba ::: disse...

é triste mesmo, por que o Masp é inspirador já na fachada. Eu nunca pegaria o detalhe do nome escrito errado, para isso existem pessoas como você. Tô com saudade, temos que nos ver logo, urgente. Você voltou, e essa notícia é muito boa.