quinta-feira, maio 25, 2006

Síndrome de Batman

Me desculpem os que amam o Batman. Nunca gostei do Batman. Sem superpoderes, com uma roupinha de quinta, brincando de morcegão. Um jovem com muito dinheiro e sem ter com o que gastar. Com um trauma e tormentos psicológicos- aliás, uma característica comum entre os heróis - irritantes. Pois bem. Para o meu azar, meu filho cismou que é a reencarnação do Batman e, em algumas ocasiões, não aceita nem ser chamado pelo nome. Uma criança de quase 3 anos. Ele tem a capa, o peitoral, enfim, indumentária completa do herói que me assombra.

Foi na Páscoa que eu descobri que este não é um privilégio só meu. Muitos outros pais sofrem deste mesmo mal. Os ovos que davam como brinde o carro do Batman se esgotaram em todas as lojas. O mesmo aconteceu com os bonecos e acessórios do morcegão. Na escola, a professora me contou que era uma febre entre a garotada - o Superman vinha em segundo lugar. Fiquei pensando no que fez com que uma legião de pequeninos, recém-saídos das fraldas, ficassem alucinados por um mesmo herói e cheguei à conclusão que não existe nenhuma teoria da conspiração. Está certo que a indústria aposta em alguns heróis, repagina os desenhos animados, colocando mais cor, aperfeiçoando o design, adequando a linguagem aos novos tempos; e aí produz batmans e acessórios em série, que pululam nas vitrines encantadas das lojas de brinquedos. Mas a culpa também é dos pais que, muitas vezes, cansados de um longo dia de trabalho, querendo um pouco de vida particular, deixam as crianças verem televisão indiscriminadamente. E este é um processo em cadeia porque mesmo quando você limita a TV, é obrigado a ceder algum tempinho a mais, que permita que o seu filho não pague mico no colégio e interaja com as outras crianças. Ele precisa ter seu próprio repertório para ser aceito em sua pequena sociedade. E você, que é mãe, que é pai, até acha bem bonitinho, o filhote correndo e gritando pela casa que vai acabar com o Coringa. Resumindo, eu que detestava o Batman, agora sou mãe de um morceguinho muito fofo. E, quem sabe em alguns meses ele terá se transformado no Wolverine - e olha que desse eu gosto.

2 comentários:

Roger disse...

Priscila querida, Cá estou visitando seu blog :) Quanto ao Batman, vc não sabe de nada. Eu me vesti de Batman em uma festa de um ano, do filho de um amigo, e ainda dançei "Macho man" um outro Pai se vestiu de Robin, menos mal pra mim, mas que é uma macumbaria, é.A Carol ficou toda orgulhosa, achou o máximo. O detalhe é que foi tudo gravado e colocado em DVD.Pois é amiga, nossos filhos nos fazem passar por cada uma e, olha, isso é só o começo. Beijão.

Bianca Balsini disse...

Não sei se vc já viu esta foto, mas seu filho imita os anseios e gosto do pai dele. É verdade! Há provas cabais que a máxima "filho de peixe peixinho é", é absolutamente verdadeira... Na década de 80, então pequenino, ele já se vestia assim,e pelas fotos, adorava!!! Embora os anos passem e a globalização seja cada vez mais latente e, com ela, as maravilhas da modernidade e os avanços técnológicos de nossa sociedade, as paixões das crianças por super- heróis, carrinhos, bola, bonecas da moda e etc., continuam se sobrepondo aos demais brinquedos ultra-modernos da atualidade. Se prepare, vc ainda vai se surpreender muito e terá que se conformar, pq nào há nada a ser feito. A mídia controla os gostos dos pequenos e no fim, por amor a eles, acabamos nos rendendo. Beijos.