quinta-feira, maio 29, 2008

adidas Grün


Eita! Muito tempo sem escrever aqui, no meu oásis em plena São Paulo. A desculpa é muito trabalho e blog dos outros. Sim! Tenho desenvolvido e escrito blogues corporativos. Dá uma olhada lá no www.adidasgrun.com.br

Como é trabalho, não tem erro de deixar de escrever um dia sequer. Vai lá e deixe um comentário!

Mas esse blog não será largado às traças. Assim que eu conseguir, retorno e escrevo para arejar.

domingo, fevereiro 24, 2008

um dia e quem sabe...



um dia
– e quem sabe esse ano –
as palavras não estarão mais na estante
trancadas em livros que não leio

as palavras não estarão mais trancadas em mim
em um lugar que mal posso alcançar



um dia
– e quem sabe esse ano –
todas as palavras
confusas em seu estado bruto e diversidade
se reunirão em combate contra todo o emburrecimento
contratado mensalmente

e o estresse que impede as palavras de se organizarem
a expressão e qualquer possibilidade de pensamento
quedará cansado
diante da turbulência e urgência de minhas palavras
diante do embate de minha vida




um dia
– e quem sabe esse ano –
tudo o que eu tocar
vai se transformar em palavras
silenciosas,
mas profundamente audíveis
em toda a sua estrutura


então, as palavras se encontrarão em torvelinho
em plena forma
ao alcance de minha língua


e, ao invés de queimar, ferinas as palavras
vão preencher todas as lacunas
de punho em riste
vão sair por aí, independentes de minha vontade
entregues à sua própria condição de palavra


sinto falta da lucidez e insanidade de minhas palavras em desalinho...

quarta-feira, novembro 28, 2007

abrigo




Ma vie en Provence

quando tudo parece andar na contramão
sigo para a Provence
onde o cheiro do alfazema
tira meus pés do chão

um campo de flores
simplicidade
terra
odores
sensações que dispensam palavras
minhas sempre palavras
que já não me servem de nada

dia em tom pastel


a pintura é de Egon Schiele


Fuligens

tenho uma ferida aberta
que não sangra
mas corrói

tudo é incerteza
e a dúvida me expõe à dor
gosto amargo na boca, refluxo em nível máximo
e eu sigo
a transbordar de meu pequenino corpo
que sequer sustenta minhas (as)pirações

ulcerações físicas que insistem
em acidular a minha alma

o desânimo me toma por companheira
e o tédio
– o mesmo que acorrentava o cão de Beckett
a seu próprio vômito –
está presente em meio a tanta turbulência

paro o ritmo frenético da labuta
apenas para escrever esse poema-desabafo
sufocado entre obrigações , deveres
e nenhuma vontade de nada

terça-feira, novembro 27, 2007

para meu andre



O mar, o mar
(D.H. Lawrence)

O mar dissolve tanta coisa
e a lua leva embora tão mais
do que sabemos –

Assim que a lua baixa
e o mar se apossa de nós
as cidades se dissolvem como sal-gema
o açúcar funde fora da vida
o ferro some como velha mancha de sangue
o ouro se trasmuda em sombra verde
o dinheiro sequer deixa sedimento:
só o coração
cintila em seu triunfo salino
sobre tudo o que soube e agora foi-se
na salinidade do nada.

segunda-feira, novembro 26, 2007

meta: alcançar o satori


Me apoderei da meta Zen-budista de alcançar o Satóri.

"Psicologicamente, o satóri consiste numa transcedência dos limites do ego. Do ponto de vista lógico, é a percepção da síntese da afirmação e da negação. Metafisicamente, é a apreensão intuitiva de que ser é vir a ser e vir a ser é ser"
(A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen)

domingo, novembro 25, 2007

sapos, sapinhos, sapulhas


Uma das vantagens dos 30 é saber que nem todo sapo, obrigatoriamente, precisa ser engolido. O espanto, acompanhado por um sorriso amarelo e por uma bela engolida de sapo passa a acontecer apenas quando não há outro jeito.

Me tornei uma pessoa seletiva e muito prática com as "coisas" da vida. Agora, quando algo, ou alguém, me incomoda muito e não tenho obrigação – seja financeira, social ou familiar – de aturar, não penso duas vezes e jogo o lixo para fora. Não sou do tipo que dá escândalo ou desce o barraco, mas rapidamente limpo a casa e me livro do entulho engasgado na garganta.

Eu fui legal, muito legal, e mesmo assim acabei sacaneada?! Sorry, baby, terei de bani-lo do meu pequeno mundo. Minhas últimas palavras? Só não esquece de bater a porta ao sair, s'il vous plaît.

a conta dos planetas


Há semanas tenho escutado pessoas de lugares diferentes discutindo quantos planetas Terra gasta conforme seu estilo de vida. Cinco foi a média de planetas ouvidos até agora. Confesso que fiquei curiosa e entrei no tal site.

Quantos planetas eu gasto? Um planeta Terra e meio! Meu Deus, é muito! E ainda assim estou bem abaixo da média. Me senti culpada... De qualquer forma, esse valor só foi possível porque não tenho carro. Como faz diferença para a gastança dos bens naturais ter um carro...

Para diminuir a culpa, vou andar um pouco pelo bairro e refletir enquanto respiro o CO2 dos carros dos outros!

Se quiser saber quantos planetas Terra você está consumindo, entra lá no www.pegadaecologica.siteonline.com.br

O teste tem lá seus problemas mas vale para mexer com a consciência.

quarta-feira, outubro 31, 2007

adorei


O cúmulo da elegância por Germana Lorca.

eta saudade doida de ser carioca - com direito a xiar



Tô morrendo de saudade do Rio. Quando esquenta em São Paulo é um verdadeiro inferno sem nenhuma brisinha para acalmar a alma. Em cidades como Sampa não poderia fazer calor nunca. Deveria ser proibido temperatura acima de 25º graus onde não existe praia. Às vezes, em dias calorentos, áridos, como sábado passado, em que o sol reina sozinho sem nenhuma nuvenzinha pra contar história, eu sigo pela João Moura e tenho a sensação de que, ao virar na Teodoro Sampaio, darei de cara com a praia. C'est la vie!

Alors, je vais à Rio à la semaine prochaine. Fantastique! Mesmo que seja a trabalho! Mal vejo a hora de sentir a brisa do Leblon no rosto; de andar de chinelo, de ver e ouvir gente que tem o mesmo sotaque e que não acha engraçado o modo como eu falo doze. eheheheh


A contagem regressiva já começou. Mãe, vai preparando a carne assada que eu tô chegando!


Ops, só não tenho mais um biquine decente. Também, aqui eu não uso...

valeu, bianca!

Não posso deixar de agradecer em público a minha fiel leitora, Bianca Balsini. Obrigada, Bianca, por ler e comentar todos os meus posts. Te adoro!

allez, allez!



O que sempre me atraiu no cinema francês foi o "allez, allez", dito por um francês râleur a um grupo de crianças que toca o terror dentro de casa. Essa cena sempre me deixou impressionada com a rabugice bem-humorada dos franceses. Bom, e hoje estou num dia de allez, allez pra tudo.

quinta-feira, outubro 25, 2007

palavras

escrevi um texto conceitual para um job e passei para o designer francês da agência. Como alguém que ainda tateia por uma língua estrangeira, ele se deparou com a palavra "vislumbrar" e ficou encantado. O episódio me incitou a dar início a um desejo antigo: um exercício descompromissado de colocar no papel - no caso, aqui no blog - palavras que encantam, divertem, repugnam ou emudecem.

obrigada pela forcinha, Benoit.

?


minha mente está povoada de fantasmas, tentando solucionar e entender enigmas que não foram construídos com respostas.

quinta-feira, outubro 11, 2007

utopia


ilustra: Eric Feng.


Que alguém pague para eu ler tudo o que eu quiser
Que alguém pague para eu escrever só o que me toque

sábado, setembro 08, 2007

rito de passagem ou drama de mae


Compramos uma cama para o Lu hoje. Demos adeus ao berço.
Meu filho está virando um homem...
ai, ai...

o que e jerome hausman?


Uma mistura de bom velhinho, com duende do pote de ouro do arco-íris, e um daqueles professores memoráveis dos tempos da faculdade. Sorridente, disputado por todas as jovens do ambiente que não paravam de lhe apertar as bochechas, atencioso com todas elas, diga-se de passagem; cheio de histórias para contar. Para lá dos oitenta, mas passava por setentão fácil.

Enviei um roteiro de perguntas para ele, duas semanas antes do I Seminário Internacional da Democratização Cultural acontecer, mas ele estava enrolado e preferiu conversar quando chegasse ao Brasil. Na hora da entrevista, Jerry saca da mala - que não largou nem por um minuto - um rascunho em folha amarela, escrito à mão - num garrancho de médico daqueles bem difíceis de entender - e me entrega cinco respostas, pensadas durante o vôo, para as minhas perguntas. Nesse momento, disse adeus ao roteiro e resolvi conversar. E como foi boa a conversa. Fala mansa, mas com muita energia, risadas altas e festivas, olhar de quem simula saber pouco, mas no fundo sabe que conduz muito bem o fio da meada. Simplicidade e relevância. Fiquei encantada.

Por isso, transcrevo um trecho da conversa - a íntegra da entrevista está em www.democratizacaocultural.com.br. Para que outros também se deliciem com o velhinho batuta, precursor dos estudos de arte-educação no mundo, que veio lá dos states e conversou comigo como se eu não fosse mais uma entre os milhares de jornalistas que lhe entrevistaram na vida.

As aspas de Jerome Hausman:
"Por muito tempo, para aprender arte era preciso se tornar aprendiz de grandes artistas, servindo a eles, seja nos serviços da casa, seja no trabalho de arte propriamente dito. O aprendiz configurou os primórdios do aprendizado da arte, que passou por um longo processo de transformação. Há muitos anos, quando eu era diretor da Escola de Arte da Faculdade de Ohio, conheci um professor de história da arte que foi ao Paquistão interessado nas cerâmicas produzidas por lá. Nessa viagem, ele se impressionou muito com o trabalho de um artista específico e resolveu ir até a cidade desse artista para conhecê-lo. Quando chegou e perguntou onde poderia encontrar 'o artista', todos disseram que não o conheciam, simplesmente porque não sabiam o significado da palavra 'artista'. E ele mudou a pergunta, querendo saber quem fazia a cerâmica. Então, foi entendido, e com o endereço em mãos foi encontrar o artista. Ficou impressionadíssimo com o que viu: um homem trabalhando a argila em um torno rudimentar, feito de pedra e pau. E meu amigo perguntou ao homem: 'Quem te ensinou a fazer isso?'. O homem olhou para ele desconfiado e disse que ninguém o havia ensinado. Meu amigo insistiu: 'Mas como você aprendeu?', e a resposta foi 'Eu nunca aprendi'. 'O seu pai fazia cerâmica?', retrucou o professor. 'Sim. O meu pai, o pai dele, o pai do pai dele... Toda a minha a família faz cerâmica'. Então, quando o meu amigo me contou essa história, ficamos refletindo sobre a naturalidade desse aprendizado. Perguntar “quem te ensinou a fazer arte?' significava, naquele contexto, o mesmo que perguntar 'quem te ensinou a respirar?'. A arte fazia parte da vida daquele homem de uma forma tão natural que ele nem conseguia pensar o que era ensino. 
De um outro ponto de vista, durante o século 19 foram inauguradas muitas escolas que incluíam o desenho no currículo com o objetivo de capacitar mão-de-obra especifica, com ótima coordenação motora, para trabalhar nas fábricas. Dando um salto na história, no fim da Segunda Guerra Mundial, o governo norte-americano ofereceu aos jovens recém-chegados da guerra a opção de estudar em faculdades. Vários jovens escolheram estudar arte, e eu me incluo na lista, impulsionando a ampliação das faculdades e o crescimento de um mercado específico. Depois de graduado, resolvi ensinar arte, assim como muitos resolveram. Quer dizer, a humanidade evoluiu e precisou readequar seus conceitos e práticas, e o ensino da arte passou por esse viés."

"Mais ou menos 50 anos atrás, conheci Marshall McCune, que publicou um livro sobre as projeções da invenção da imprensa, e fiquei impressionado com sua tese. Também li os escritos de Walter Benjamin sobre a arte na era da reprodução mecânica. Retorno a esses nomes e temas para mostrar que as mudanças acontecem naturalmente, como uma evolução, mas que agora elas estão num ritmo de progressão geométrica, e não aritmética, como no passado. Para muitos, a globalização restringe-se a um fenômeno econômico, mas ela vai além disso. As mudanças tecnológicas são impactantes no que somos e fazemos e acontecem mais rápido que o nosso entendimento. Trata-se de uma dinâmica irreversível que afeta a vida das pessoas, gerando novas atitudes e visões e criando novas ambigüidades. O nosso desafio hoje é encontrar a ponte entre a identidade pessoal e a coletiva. A globalização também gerou mudanças incríveis na forma e nos meios de fazer arte, na expressão e realização de idéias. Há, por exemplo, uma nova paleta de realidades visuais que incitam todo tipo de imagística e geram novas interpretações. A arte transformou-se em um novo instrumento de organização da consciência. Os pintores não se sentem mais confinados a telas e tintas, utilizam todo tipo de material; os músicos vão além dos instrumentos tradicionais e assim por diante. A verdade é que os jovens do mundo atual têm uma variedade maior de possibilidades de expressão e realização de suas idéias e sentimentos. O que é importante, mas não é melhor do que as formas anteriores. A expansão dos meios criativos não significa uma qualidade maior de valores e significados."

entrevistas boas por demais da conta


Fiz a cobertura do I Seminário Internacional da Democratização Cultural, que aconteceu aqui em São Paulo. E tive a oportunidade, que todo jornalista adora, de entrevistar pessoas muito inteligentes de outros países. Ai, como é bom falar com gente inteligente, mesmo em outra língua, com ajuda de tradutor, com um monte de gente espreitando, com muito pouco tempo. Tenho que admitir que sai de lá cansada, com inglês, francês e espanhol ressoando nos ouvidos, mas bastante satisfeita e louca por um chopinho redentor. Não foi o caso... e acabei me consolando com uma coca-cola gelada. O que não é nada mal.
Para quem quiser conferir o resultado da cobertura, basta entrar no www.democratizacaocultural.com.br e acessar o Boletim da Democratização Cultural. Ainda com muito conteúdo na algibeira, certamente as próximas edições vão trazer matérias inéditas.

sexta-feira, agosto 17, 2007

o risco a'trai o risco



mama
o peito da mãe
esfolado
desgovernado
persona
com vida própria que não é sua
é outra
é vida em toda a sua ma-te-ria-li-dade
o peito materno
e'terno
calejado
caído e sustento
expressão máxima de amor

me ar'risco na poesia - minha pobre poesia

Vincent Van Gogh
Lane with Poplar Trees, início de 1884 - 54 x 39 cm
uma longa caminhada
caminho
caminho em direção ao nada
ao tudo que ainda é nada
caminho em direção ao desejo
ao afeto
ao beijo
caminho porque tenho pernas e asas
caminho para me abrigar
para continuar vivendo
um caminho sem fim
que no fim tem seu começo