quarta-feira, outubro 31, 2007

adorei


O cúmulo da elegância por Germana Lorca.

eta saudade doida de ser carioca - com direito a xiar



Tô morrendo de saudade do Rio. Quando esquenta em São Paulo é um verdadeiro inferno sem nenhuma brisinha para acalmar a alma. Em cidades como Sampa não poderia fazer calor nunca. Deveria ser proibido temperatura acima de 25º graus onde não existe praia. Às vezes, em dias calorentos, áridos, como sábado passado, em que o sol reina sozinho sem nenhuma nuvenzinha pra contar história, eu sigo pela João Moura e tenho a sensação de que, ao virar na Teodoro Sampaio, darei de cara com a praia. C'est la vie!

Alors, je vais à Rio à la semaine prochaine. Fantastique! Mesmo que seja a trabalho! Mal vejo a hora de sentir a brisa do Leblon no rosto; de andar de chinelo, de ver e ouvir gente que tem o mesmo sotaque e que não acha engraçado o modo como eu falo doze. eheheheh


A contagem regressiva já começou. Mãe, vai preparando a carne assada que eu tô chegando!


Ops, só não tenho mais um biquine decente. Também, aqui eu não uso...

valeu, bianca!

Não posso deixar de agradecer em público a minha fiel leitora, Bianca Balsini. Obrigada, Bianca, por ler e comentar todos os meus posts. Te adoro!

allez, allez!



O que sempre me atraiu no cinema francês foi o "allez, allez", dito por um francês râleur a um grupo de crianças que toca o terror dentro de casa. Essa cena sempre me deixou impressionada com a rabugice bem-humorada dos franceses. Bom, e hoje estou num dia de allez, allez pra tudo.

quinta-feira, outubro 25, 2007

palavras

escrevi um texto conceitual para um job e passei para o designer francês da agência. Como alguém que ainda tateia por uma língua estrangeira, ele se deparou com a palavra "vislumbrar" e ficou encantado. O episódio me incitou a dar início a um desejo antigo: um exercício descompromissado de colocar no papel - no caso, aqui no blog - palavras que encantam, divertem, repugnam ou emudecem.

obrigada pela forcinha, Benoit.

?


minha mente está povoada de fantasmas, tentando solucionar e entender enigmas que não foram construídos com respostas.

quinta-feira, outubro 11, 2007

utopia


ilustra: Eric Feng.


Que alguém pague para eu ler tudo o que eu quiser
Que alguém pague para eu escrever só o que me toque

sábado, setembro 08, 2007

rito de passagem ou drama de mae


Compramos uma cama para o Lu hoje. Demos adeus ao berço.
Meu filho está virando um homem...
ai, ai...

o que e jerome hausman?


Uma mistura de bom velhinho, com duende do pote de ouro do arco-íris, e um daqueles professores memoráveis dos tempos da faculdade. Sorridente, disputado por todas as jovens do ambiente que não paravam de lhe apertar as bochechas, atencioso com todas elas, diga-se de passagem; cheio de histórias para contar. Para lá dos oitenta, mas passava por setentão fácil.

Enviei um roteiro de perguntas para ele, duas semanas antes do I Seminário Internacional da Democratização Cultural acontecer, mas ele estava enrolado e preferiu conversar quando chegasse ao Brasil. Na hora da entrevista, Jerry saca da mala - que não largou nem por um minuto - um rascunho em folha amarela, escrito à mão - num garrancho de médico daqueles bem difíceis de entender - e me entrega cinco respostas, pensadas durante o vôo, para as minhas perguntas. Nesse momento, disse adeus ao roteiro e resolvi conversar. E como foi boa a conversa. Fala mansa, mas com muita energia, risadas altas e festivas, olhar de quem simula saber pouco, mas no fundo sabe que conduz muito bem o fio da meada. Simplicidade e relevância. Fiquei encantada.

Por isso, transcrevo um trecho da conversa - a íntegra da entrevista está em www.democratizacaocultural.com.br. Para que outros também se deliciem com o velhinho batuta, precursor dos estudos de arte-educação no mundo, que veio lá dos states e conversou comigo como se eu não fosse mais uma entre os milhares de jornalistas que lhe entrevistaram na vida.

As aspas de Jerome Hausman:
"Por muito tempo, para aprender arte era preciso se tornar aprendiz de grandes artistas, servindo a eles, seja nos serviços da casa, seja no trabalho de arte propriamente dito. O aprendiz configurou os primórdios do aprendizado da arte, que passou por um longo processo de transformação. Há muitos anos, quando eu era diretor da Escola de Arte da Faculdade de Ohio, conheci um professor de história da arte que foi ao Paquistão interessado nas cerâmicas produzidas por lá. Nessa viagem, ele se impressionou muito com o trabalho de um artista específico e resolveu ir até a cidade desse artista para conhecê-lo. Quando chegou e perguntou onde poderia encontrar 'o artista', todos disseram que não o conheciam, simplesmente porque não sabiam o significado da palavra 'artista'. E ele mudou a pergunta, querendo saber quem fazia a cerâmica. Então, foi entendido, e com o endereço em mãos foi encontrar o artista. Ficou impressionadíssimo com o que viu: um homem trabalhando a argila em um torno rudimentar, feito de pedra e pau. E meu amigo perguntou ao homem: 'Quem te ensinou a fazer isso?'. O homem olhou para ele desconfiado e disse que ninguém o havia ensinado. Meu amigo insistiu: 'Mas como você aprendeu?', e a resposta foi 'Eu nunca aprendi'. 'O seu pai fazia cerâmica?', retrucou o professor. 'Sim. O meu pai, o pai dele, o pai do pai dele... Toda a minha a família faz cerâmica'. Então, quando o meu amigo me contou essa história, ficamos refletindo sobre a naturalidade desse aprendizado. Perguntar “quem te ensinou a fazer arte?' significava, naquele contexto, o mesmo que perguntar 'quem te ensinou a respirar?'. A arte fazia parte da vida daquele homem de uma forma tão natural que ele nem conseguia pensar o que era ensino. 
De um outro ponto de vista, durante o século 19 foram inauguradas muitas escolas que incluíam o desenho no currículo com o objetivo de capacitar mão-de-obra especifica, com ótima coordenação motora, para trabalhar nas fábricas. Dando um salto na história, no fim da Segunda Guerra Mundial, o governo norte-americano ofereceu aos jovens recém-chegados da guerra a opção de estudar em faculdades. Vários jovens escolheram estudar arte, e eu me incluo na lista, impulsionando a ampliação das faculdades e o crescimento de um mercado específico. Depois de graduado, resolvi ensinar arte, assim como muitos resolveram. Quer dizer, a humanidade evoluiu e precisou readequar seus conceitos e práticas, e o ensino da arte passou por esse viés."

"Mais ou menos 50 anos atrás, conheci Marshall McCune, que publicou um livro sobre as projeções da invenção da imprensa, e fiquei impressionado com sua tese. Também li os escritos de Walter Benjamin sobre a arte na era da reprodução mecânica. Retorno a esses nomes e temas para mostrar que as mudanças acontecem naturalmente, como uma evolução, mas que agora elas estão num ritmo de progressão geométrica, e não aritmética, como no passado. Para muitos, a globalização restringe-se a um fenômeno econômico, mas ela vai além disso. As mudanças tecnológicas são impactantes no que somos e fazemos e acontecem mais rápido que o nosso entendimento. Trata-se de uma dinâmica irreversível que afeta a vida das pessoas, gerando novas atitudes e visões e criando novas ambigüidades. O nosso desafio hoje é encontrar a ponte entre a identidade pessoal e a coletiva. A globalização também gerou mudanças incríveis na forma e nos meios de fazer arte, na expressão e realização de idéias. Há, por exemplo, uma nova paleta de realidades visuais que incitam todo tipo de imagística e geram novas interpretações. A arte transformou-se em um novo instrumento de organização da consciência. Os pintores não se sentem mais confinados a telas e tintas, utilizam todo tipo de material; os músicos vão além dos instrumentos tradicionais e assim por diante. A verdade é que os jovens do mundo atual têm uma variedade maior de possibilidades de expressão e realização de suas idéias e sentimentos. O que é importante, mas não é melhor do que as formas anteriores. A expansão dos meios criativos não significa uma qualidade maior de valores e significados."

entrevistas boas por demais da conta


Fiz a cobertura do I Seminário Internacional da Democratização Cultural, que aconteceu aqui em São Paulo. E tive a oportunidade, que todo jornalista adora, de entrevistar pessoas muito inteligentes de outros países. Ai, como é bom falar com gente inteligente, mesmo em outra língua, com ajuda de tradutor, com um monte de gente espreitando, com muito pouco tempo. Tenho que admitir que sai de lá cansada, com inglês, francês e espanhol ressoando nos ouvidos, mas bastante satisfeita e louca por um chopinho redentor. Não foi o caso... e acabei me consolando com uma coca-cola gelada. O que não é nada mal.
Para quem quiser conferir o resultado da cobertura, basta entrar no www.democratizacaocultural.com.br e acessar o Boletim da Democratização Cultural. Ainda com muito conteúdo na algibeira, certamente as próximas edições vão trazer matérias inéditas.

sexta-feira, agosto 17, 2007

o risco a'trai o risco



mama
o peito da mãe
esfolado
desgovernado
persona
com vida própria que não é sua
é outra
é vida em toda a sua ma-te-ria-li-dade
o peito materno
e'terno
calejado
caído e sustento
expressão máxima de amor

me ar'risco na poesia - minha pobre poesia

Vincent Van Gogh
Lane with Poplar Trees, início de 1884 - 54 x 39 cm
uma longa caminhada
caminho
caminho em direção ao nada
ao tudo que ainda é nada
caminho em direção ao desejo
ao afeto
ao beijo
caminho porque tenho pernas e asas
caminho para me abrigar
para continuar vivendo
um caminho sem fim
que no fim tem seu começo

quarta-feira, julho 25, 2007

mondo bizarro


Olha que curioso: um erro de digitação me apresentou o genérico do meu blog. O "orelhaempe", também de uma jornalista, que iniciou seus escritos no universo blogspot em abril de 2007,um ano depois do original - o meu é claro.

Bom, como todo mundo tem direito a se expressar como bem quiser, enfio a minha viola no saco e continuo escrevendo por aqui, sabendo que num universo paralelo, no Mondo Bizarro, tem uma versão de orelha em pé às avessas. hehehe!
Ok. Vamo ae!

terça-feira, julho 24, 2007

leitura


Leitura, Renoir


Leitura: fator de desenvolvimento individual e social*

Do entrelaçamento entre a leitura, a escrita e a construção de mundo intrínseca a esse processo, surge a literatura. Uma das manifestações culturais mais importantes no que tange a reflexão e percepção sobre a vida, a construção do imaginário e da individualidade e a conexão com o outro, a literatura está associada à essência das sociedades, seja na Grécia com Homero, em Roma com Ovídio ou na Inglaterra com Shakespeare. A própria origem da palavra já estabelece esse vínculo direto com o processo de codificação da língua. O vocábulo literatura vem do termo latino littera, que significa letra, e deixa claro que não há literatura sem leitura, seja essa oralizada ou escrita. Por outro lado, ler vem do grego legei, um vocábulo marcado pela noção de reunir, de colher, que pressupõe a observação e compilação de elementos para uma posterior interpretação. Quando combinamos leitura e narrativa o que temos é um poderoso instrumento político e social que possibilita a apropriação da cidadania, a compreensão das urgências do mundo e a transgressão de ordens predeterminadas. Portanto, é impossível falar de democratização da literatura sem que antes se pense no acesso à leitura. E por isso formar leitores plenos, que vão além do funcionalismo, hoje é uma questão de ordem mundial.

No Brasil, a relação com o livro e a leitura se estabelece de fato – ainda que precariamente – com a chegada da corte portuguesa, em 1808. Nesse momento, o país passa da condição de colônia iletrada, distanciada do mundo pela escassez e proibição de informação, ao posto de sede do império português. Uma inversão nos papéis entre metrópole e colônia, benéfica para o Brasil, já que lhe permitia avançar em direção à produção intelectual. Com a corte, veio a Real Biblioteca Portuguesa, que daria origem à Fundação Biblioteca Nacional, hoje considerada a maior da América Latina e a oitava do mundo. Um enorme paradoxo para um País que, em pleno século 21, reúne uma massa de analfabetos e alfabetizados funcionais, e no qual apenas 26% da população adulta têm domínio pleno das habilidades de leitura e escrita, segundo a última pesquisa do Inaf, Indicador de Alfabetismo Funcional, realizada em 2005.

Participante ativo no processo de elaboração das diretrizes para o desenvolvimento da leitura no Brasil, o secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), José Castilho, vê a erradicação do analfabetismo como peça-chave para o avanço do País. “O analfabetismo é a doença terminal da cidadania. É o impedimento total do uso da capacidade de ler e participar dessa era em que vivemos. A democratização do acesso num País com problemas históricos de desigualdade passa pelo fomento de atividades de uso coletivo, como a modernização e criação de novas bibliotecas e a distribuição gratuita de livros em programas especialmente dirigidos às camadas mais excluídas da população.”

Lançado em 2006, o PNLL foi desenvolvido com base em quatro eixos: democratização do acesso; fomento à leitura e à formação de mediadores; valorização do livro e comunicação; e desenvolvimento da economia do livro. O programa tem por pauta a necessidade de formar uma sociedade leitora, medida que considera essencial para a inclusão social e para a viabilização da economia. “Pela primeira vez o País constrói uma estratégia para a leitura envolvendo organicamente os Ministérios da Cultura e da Educação. Leitura passa a ser objetivo prioritário dos dois ministérios no âmbito escolar e artístico/cultural e isso é fundamental do ponto de vista da ação do Estado. Por outro lado, o PNLL também buscou o consenso da sociedade civil, dos profissionais do setor e do terceiro setor, por entender que apenas o Estado não dará conta da imensa tarefa que é fazer do Brasil um país leitor”, afirma Castilho.

Mas nem todos os setores da sociedade concordam com a linha de atuação do PNLL e, muito menos, com o seu caráter consolidador. Há a percepção de que essa seja mais uma das iniciativas pulverizadas que vêm sendo desenvolvidas desde o século 19. Diretor e fundador da ONG Leia Brasil, Jason Prado acredita que o problema da política governamental é que ela não se alinha à real necessidade da sociedade brasileira. “Nos últimos 70 anos todas as políticas nacionais de leitura se relacionaram com a questão do mercado editorial. Mais da metade dos livros é comprada pelo Estado e o escritor acaba se prejudicando. O MEC incentiva essa relação objetal com o livro. E o Governo trabalha as questões do livro, da leitura, da cadeia produtiva do livro, mas ainda trata o leitor como elemento de formação do mercado.”

A posse do livro, tão comentada por teóricos e historiadores da leitura como um ato de “apreensão intelectual” (segundo Alberto Manguel) e de paixão pelas Letras, quando condicionada à mera relação objetal, como definida por Jason Prado, acaba por minar toda a importância da fruição e aquisição de saber. “Essa atitude é visível quando se fala da relação com o livro. Mas esse sentimento de posse só deveria se relacionar com a apropriação do conteúdo”, completa o diretor da Leia Brasil. Ainda assim, vale lembrar que ler e possuir livros no Brasil é privilégio de poucos. Segundo dados do Cerlalc – Centro Regional para Fomento do Livro na América Latina e Caribe, a média de livros lidos por habitantes é de 1,8; enquanto na Colômbia esse número sobe para 2,4; e em países desenvolvidos, como a França, o índice é de 7 livros por habitante. A sentença reflete a má distribuição de renda, evocando questões nacionais como o valor do salário mínimo (R$ 380) em comparação com o valor médio do livro (R$ 25). Ou seja, ao contrário do que deveria ser, livro é objeto de luxo.


Literatura: ferramenta de construção

O conceito de literatura tal qual conhecemos hoje não existia até meados do século 17, quando a disciplina englobava não só a narrativa de ficção como também cartas, tratados e sermões. Mas um ponto que não mudou em todos esses anos é a possibilidade de construir significados e de se relacionar com o mundo, promovida pelo texto literário.

Para Affonso Romano Sant’Anna a literatura é um gênero de primeira necessidade. “Não se vive sem símbolos, sem acionar o imaginário. Os escritores são sonhadores de utilidade pública e a literatura pode ser transgressiva, formativa e conformativa. Se poesia, se literatura não servissem para nada, duas coisas. Por que é que existe há mais de seis mil anos na história de todas as culturas? E por que todas as culturas que existem, que usam a escrita, o alfabeto, e todas as culturas ágrafas – que não escrevem – têm na sua fundação a poesia?!.”

A literatura brasileira também tem muito a dizer da cultura nacional. E apesar de todas as dificuldades com relação ao acesso, continuamos fabricando escritores de primeira linha que, por conta da desvalorização de seu trabalho, são obrigados a desenvolver atividades paralelas. “Dentre os objetivos do Plano Nacional do Livro e Leitura, uma política de incentivo ao autor e à literatura brasileira é considerada prioritária, principalmente na aproximação dos nossos autores com seu público. Ainda assim, a literatura brasileira vai muito bem, com o aparecimento contínuo de escritores talentosos e a afirmação de valores que se consagraram nos últimos anos. Além disso, um número cada vez maior de escritores se organiza em movimentos que promovem a literatura e divulgam com qualidade a produção nacional”, conta o secretário executivo do PNLL.


Uma luz para a leitura

A participação da sociedade civil, do terceiro setor e do poder privado tem sido cabal para elevar os índices de acesso à literatura nacional, complementando a atuação governamental. As iniciativas vão da criação de bibliotecas comunitárias à formação de mediadores da leitura e se estendem por todo o território nacional, alcançando, inclusive, as áreas remotas.

Este é o caso da Expedição Vaga Lume, um programa que atua em comunidades rurais de quatro municípios da Amazônia legal brasileira, promovendo o acesso ao livro e à leitura a partir da distribuição gratuita de acervos de literatura e da capacitação de mediadores de leitura. “Os mediadores são os verdadeiros veículos de democratização cultural, uma vez que levam a literatura até as pessoas e resgatam a narrativa oral existente nas comunidades”, explica Sylvia Guimarães, fundadora e presidente da Expedição Vaga Lume. O projeto nasceu do sentimento de que a Amazônia era muito rica para não contar com nenhum investimento em sua população. E o nome Expedição Vaga Lume veio do fato do trabalho ser expedicionário – a configuração geográfica das áreas atingidas diz por si só – e por “iluminar as comunidades com as luzes da biblioteca”.

Sete anos depois de iniciado, o programa contabiliza bibliotecas em 84 comunidades rurais de 19 municípios, além de 1000 mediadores formados, entre eles, professores que foram fazer mestrado e escolheram como tema o incentivo à leitura. O projeto também gerou uma nova fonte de diversão para comunidades como Alter do Chão, em Santarém, onde as 135 famílias envolvidas retiram, diariamente, 180 livros. “A capacitação quebra paradigmas com relação ao livro, tratando-o como objeto cultural. Para isso, oferecemos um curso sobre medição de leitura e sobre como gerir a biblioteca e a memória local. A responsabilidade do mediador é fazer com que os livros sejam lidos, além de atuar como leitor público. Usualmente, os alunos da mediação – professores da rede pública e lideranças comunitárias – entrevistam os idosos e contadores de história de sua comunidade e, como resultado, produzem um livro artesanal que, depois, é impresso e incluído no acervo da biblioteca”, diz Daniela Weiers, assessora executiva do projeto. Para ampliar esse alcance, a Expedição Vaga Lume elegeu 2007 como o ano da capacitação de agentes multiplicadores. A nova fase deve configurar uma releitura da relação entre o projeto e a comunidade. “A idéia é transformar o mediador em agente multiplicador, cabendo à Expedição a supervisão do trabalho”, completa a assessora executiva.

Com foco na comunidade escolar da rede pública de ensino, a ONG Leia Brasil promove a leitura em mais de 700 escolas, utilizando como instrumentos oficinas caminhões-biblioteca, publicações, cursos e eventos culturais. “Trabalhamos há 16 anos com a perspectiva de instrumentar uma ação de promoção da leitura no âmbito da escola pública. Nosso objetivo é dar aos professores outras armas de enfrentamento da leitura além dos cursos clássicos de formação, que não têm uma linha direcionada para a literatura e a construção do imaginário. Com isso, pretendemos que textos de escritores como Machado de Assis não sejam usados apenas para a análise sintática e, sim, para fomentar a libertação e a construção da subjetividade”, explica o presidente da ONG. No que diz respeito aos professores, a Leia Brasil disponibiliza livros e oferece cursos e encontros com escritores, além de editar uma publicação que reúne uma seleta de artigos que visam relacionar literatura e artes.

Para o secretário executivo do PNLL, José Castilho, as iniciativas que formam leitores e incutem o encantamento pelo livro são muito bem-vindas não só para o Governo como para a sociedade. “Facilitar o acesso ao livro e à literatura é uma responsabilidade social extremamente importante nessa etapa histórica vivida pelo País. Iniciativas que atuam nessa linha, permitem a formação de uma consciência cidadã, sentimento extremamente incentivado nos momentos mágicos de isolamento total do leitor com o conteúdo da obra que lê. A consciência se forma no ato individual de reflexão do leitor consigo mesmo, provocado pela leitura e pelas inquietudes que ela proporciona. Um país sem cidadãos conscientes não é, em última instância, uma nação e pode ser manipulado, vilipendiado e invadido de forma a ter maculados, fortemente e indelevelmente, sua história, tradições, idioma e identidade”, conclui.


*Publicado no Boletim da Democratização Cultural

escrever para mim é prazer e trabalho

Fiquei muito tempo sem aparecer por aqui, então, para diminuir esse delay até zerar, resolvi publicar o que tenho escrito profissionalmente.

look Pan


O tempo da piada pode até ter passado, mas não vou deixar de comentar.
Que roupitcha* era aquela dos ginastas venezuelanos? O infeliz que teve a brilhante idéia de vestir os coitados de veludo azul molhado, definitivamente, estava torcendo contra!

*Pena que eu não achei o uniforme completo: "cunjunto" de regatinha e short coladinho no corpo.

quinta-feira, junho 07, 2007

volta às origens

Estou voltando a um ponto que ficou para trás: a poesia. Aos poucos vou estreitando os laços, lendo os velhos eternos poetas e conhecendo outros de igual genialidade. Quando foi que me afastei da poesia? A resposta não guarda nenhum mistério. Foi quando ingressei no mercado de trabalho. Sou muito caxias e quando me meto a fazer alguma coisa, quase me torno prisioneira da tarefa. Fico compulsiva. Mas estou aprendendo a conviver com esse lado que, se por um lado é aliado, por outro acaba se voltando contra mim.

Enfim, volto à poesia de mansinho, enlevada pelos versos de Wislawa Szymborska. Uma poeta polonesa que conheci através da Piauí. Genial, sutil, sensível e precisa. Transcrevo uma de suas poesias:

Encontro Inesperado

Nós nos tratamos com extrema cortesia,
dizemos: quanto tempo, que bom revê-lo.

Nossos tigre bebem leite.
Nossos falcões preferem o chão.
Nossos tubarões se afogam no mar.
Nossos lobos bocejam diante da jaula aberta.

Nossas cobras perderam seu lampejo,
nossos macacos, sua graça; nossos pavões, suas plumas.
Faz tempo que os morcegos deixaram nossos cabelos.

Caímos em silêncio no meio da conversa,
e não há sorriso que nos salve.
Nossos humanos
não sabem falar uns com os outros.

terça-feira, maio 29, 2007

estrelismo babaca


Me pergunto: se você é assessor de imprensa de uma estrela, isto te converte automaticamente em estrela?

Ando pasma com a "síndrome de estrela (por tabela)" que vem contaminando vários assessores de imprensa. Que eu saiba, não existe nenhum glamour no trabalho diário do jornalismo. Aliás, acho que isso tira a isenção, o poder de observação. O jornalista não deveria se posicionar no centro das atenções. Enfim...

Às vezes é mais difícil falar com o assessor do que com a própria personalidade que se deseja entrevistar.

sexta-feira, maio 25, 2007

A marrrdita!


Tô tentando largar a "marrrrdita", mas está bem difícil. Foram míseros quatro dias sem tomar Coca-cola, que me pareceram uma eternidade. E a overdose de Ades e Del Valle só me deu mais vontade. Hoje, vítima da abstinência, precisando relaxar, não aguentei e cedi à tentação.

Resumindo: como cai bem uma Coca bem gelada, mesmo com todo esse frio!

Na próxima tentativa serei mais forte!

do além

Um mês depois... Ufa! Voltando do além mundo do trabalho para respirar. Um "postizinho" muito rápido e já volto a mergulhar no universo da comunicação! Ô delícia!